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quarta-feira, 24 de abril de 2013

Em quatro meses, preço da soja despenca 20%

Aumento da oferta e ineficiência logística refletiram diretamente nos valores da oleaginosa

 
Com praticamente 100% da safra colhida, o produtor paranaense de soja começa a sentir o reflexo negativo nos preços devido ao aumento de oferta da oleaginosa no mercado. Desde o início do ano, o valor da saca de 60 quilos vem caindo naturalmente e agora está praticamente na casa dos R$ 50. De acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura do Paraná (Seab), a queda foi de 20,6% entre dezembro do ano passado, quando a saca era comercializada a R$ 67,25, e março deste ano, quando atingiu o valor R$ 53,33. Ontem, o preço de venda no Paraná era de R$ 51,95.

A produção paranaense sofreu incremento e deve fechar na casa dos 15,4 milhões de toneladas. No País, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê uma oferta de 82 milhões de toneladas, o que fatalmente pressiona os preços para baixo. Além disso, a Argentina – um grande exportador da oleaginosa - prevê uma colheita de 48,5 milhões de toneladas. "Esta pressão de baixa vem desde o final do ano passado. Os preços no Porto de Paranaguá saíram da casa dos R$ 70 em janeiro para R$ 50 em março. Uma diferença considerável", explica o zootecnista e consultor da Scot Consultoria, Rafael Ribeiro de Lima Filho.

A alta oferta não é o único fator que influenciou o mercado. Filho explica que a ineficiência logística também refletiu diretamente nos valores. Portanto, a possibilidade de o País repetir as exportações da safra passada é mínima, já que não consegue manter o ritmo de embarques para a China, por exemplo.

Outro fator que irá influenciar o mercado nos próximos dias é a divulgação da expectativa da safra 2013/14 de soja pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Na última estimativa acerca dos estoques da oleaginosa, o valor ficou em 3,4 milhões de toneladas, número acima do aguardado pelo mercado, e produção total de 96 milhões de toneladas. "Até estes números serem divulgados, são apenas especulações. Se houver um aumento de área de plantio, os preços devem cair no segundo semestre", avalia o engenheiro agrônomo do Deral, Marcelo Garrido.

Em relação à comercialização, cerca de 50% dos produtores paranaenses já fecharam negócio. Entre setembro e outubro de 2012, quando os preços estavam em patamares excelentes, 30% da safra já havia sido negociada. "Nem tudo está vendido e agora o produtor deve aguardar os números do USDA para saber que posição de venda irá tomar nos próximos meses", complementa Garrido.
Fonte: Folha de Londrina
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